Descoberta de Éris provocou "rebaixamento" de Plutão
(Scientific American Brasil) O controverso rebaixamento de Plutão do status planetário ocorreu em 2006, após a descoberta de corpos de tamanho comparável a ele – chamados de Haumea, Makemake e Éris. Em particular, Éris era tido com o diâmetro maior que o de Plutão, levantando a questão sobre o que distingue um planeta de corpos menores. A União Astronômica Internacional decidiu, em uma nova definição de planetas, o enxugamento do registro do Sistema Solar para oito planetas, relegando Plutão ao grupo de planetas anões.
Éris está bastante distante, orbitando muito mais longe do Sol do que Plutão e é difícil obter uma boa observação de um corpo relativamente pequeno. Embora as leituras iniciais térmicas de Éris indiquem cerca de 3 mil km de diâmetro, mais tarde as observações por infravermelho feitas com o Telescópio Espacial “Spitzer” indicaram um diâmetro de cerca de 2,6 mil km, enquanto as medições do Telescópio Espacial “Hubble” apontaram para um diâmetro de 2,4 mil km. Plutão, em comparação, tem cerca de 2,3 mil km de diâmetro.
Na noite de 5 de novembro, quando Éris cruzou através de sua órbita, a cerca de 14 bilhões de km da Terra, passou na frente de uma estrela distante do ponto de vista da Terra, formando uma pequena sombra em nosso planeta, evento conhecido como “ocultação”. Ao tempo da duração da ocultação em vários locais, os pesquisadores puderam estimar o tamanho da sombra e, consequentemente, o tamanho do objeto.
Segundo a Sky & Telescope, três equipes testemunharam a ocultação dos locais no Chile. Com base nessas medições, o astrônomo Bruno Sicardy do Observatório de Paris contou à revista que o diâmetro de Éris é "quase certamente" menor do que 2.340 km.
Mike Brown, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, um dos codescobridores de Éris, que participa da controvérsia de Plutão, observou em seu site que os resultados, embora preliminares, são tentadores: Plutão e Eris têm aproximadamente o mesmo diâmetro, mas como Éris é substancialmente mais massivo, sua composição deve ser fundamentalmente diferente. "Como poderia Éris e Plutão serem tão similares no tamanho e a composição exterior ainda ser totalmente desigual?", Brown indagou. "Até hoje não faço absolutamente nenhuma ideia."
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Matérias similares no Astronomia On Line - Portugal, Mike Brown (em inglês), New Scientist (em inglês), Sky & Telescope (em inglês), Discover (em inglês), MSNBC (em inglês), Hypescience e Eternos Aprendizes
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Ocultação estelar por Éris detectada (Felipe Braga Ribas - Observatório Nacional)
Afinal, Eris é maior do que Plutão? Talvez não, é o que as primeiras análises (barras de erro estão sendo determinadas) da primeira ocultação estelar por Eris observada indicam.
No último dia 06 de novembro, numa campanha mundial, três telescópios no Chile detectaram a primeira ocultação por Eris, dois em São Pedro de Atacama (Alain Maury e Jose Luis-Ortiz) e um em La Silla (Emmanuel Jehin). As primeiras análises feitas pelo líder da campanha Bruno Sicardy do Observatório de Paris-Meudon, indicam que Eris é um pouco menor que Plutão e que, sua atmosfera é bem mais rarefeita, se tiver uma.
No momento da ocultação, Eris estava a cerca de 96UA (ou aproximadamente 14 bilhões de quilômetros) objeto mais distante já observado neste tipo de evento. A estrela ocultada fica na constelação da baleia (Cetus) e tem magnitude visível de 17,6. A primeira previsão deste evento em 2009 foi realizada por nós, o grupo do Rio, uma equipe de pesquisadores e estudantes do Observatório Nacional, do Observatório do Valongo / UFRJ e da Universidade Estadual da Zona Oeste.
Ao longo de 2010, com maior intensidade em outubro, varias observações astrométricas foram realizadas por diversos grupos no mundo para melhor determinar os possíveis locais onde tal ocultação poderia ser observada. Devido à sua distância e fraco brilho, a órbita de Eris não é determinada com precisão suficiente para que soubéssemos exatamente a faixa de visibilidade, recorremos então à colaboração entre diversos grupos nas Américas e Europa. Telescópios do sul da Argentina ao norte dos Estados Unidos e na Europa, apontaram suas lentes para a estrela a ser ocultada às 00:15 (horário de Brasília) da noite do dia 06 de novembro, na tentativa de observar a ocultação. No Brasil não foi diferente, de norte a sul do país, astrônomos profissionais e amadores estavam preparados, mas o mau tempo impediu qualquer observação.
Como revelaram as observações feitas no Chile, o Brasil teria um duplo papel, predição e observação do evento. Um duplo papel em que já atuou várias vezes como em duas oportunidades de destaque este ano. A primeira no dia 19 fevereiro, quando a ocultação estelar por Varuna foi observada em São Luís do Maranhão (o segundo objeto transneptuniano à ser observado numa ocultação), e a segunda em 17 de agosto, quando foi observada uma ocultação estelar por Ceres, os dois eventos renderam trabalhos já apresentados na reunião anual da Divisão de Ciências Planetárias da Sociedade Astronômica Americana no inicio de outubro http://www.abstractsonline.com/plan/Browse.aspx . Estes eventos também contaram com o esforço de profissionais e amadores, e para tanto páginas na Rede de Astronomia Observacional ( http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/ ) foram criadas, fornecendo informações e dicas para os observadores.
Cada vez mais estes eventos tem mostrado o poder das colaborações mundiais e acima de tudo o poder dos astrônomos amadores, que com seu número e qualidade, contribuem de maneira significativa e indispensável para o avanço da ciência.
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Vídeo com as imagens tiradas pela equipe do Instituto de Astrofísica de Andalucía (ESP)
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