quarta-feira, 3 de março de 2010

Mars Express a caminho da maior aproximação a Phobos


(ESA / Astronews) A nave Mars Express, da ESA, passará bem perto da maior lua de Marte, Phobos, nesta Quarta-feira, dia 3/3. Passando a uma altitude de 67 Km, um seguimento de rádio preciso irá permitir aos investigadores espreitarem a lua misteriosa. A Mars Express deve fazer 12 aproximações a Phobos. Em cada vez, serão apontados diferentes instrumentos ao misterioso rochedo, para colher várias informações sobre o objeto.

Perto de Phobos, a nave será desviada da rota pelo campo gravítico da lua. O desvio será de apenas alguns milímetros por segundo e não afetará a missão de nenhuma forma. No entanto, para as equipes em terra, permitirá uma visão única do interior da lua e de como a sua massa está distribuída.

Como esta medição extremamente sensível será feita? Ironicamente, serão desligados todos os sinais da nave. A única coisa que as estações em terra escutarão será o sinal de rádio, usado para transportar dados.

Sem dados para transmitir, a única alteração ao sinal será causada pela mudança de frequência provocada por Phobos. As alterações serão da ordem de uma parte num trlhão e são manifestações do efeito de Doppler - o mesmo efeito que faz mudar o som de uma sirene de ambulância quando se aproxima ou se afasta.

Foram já realizados dois ensaios para esta operação, permitindo que o pessoal em terra e os controladores da nave treinem os seus papeis. Agora é o momento de levar à prática. Planejada inicialmente para uma aproximação a 50 km de altitude, a passagem será agora a 67 km.

Durante uma manobra, na semana passada, a nave ficou numa trajetória que iria incluir uma ocultação por Phobos. Isto quer dizer que a Mars Express ficaria por trás de Phobos, vista da Terra. Como este fato iria prejudicar o seguimento da nave, decidiu-se fazer uma manobra para recolocar a passagem numa altitude superior.

O trabalho não estará terminado após esta aproximação. Outras sete se seguirão, antes de terminar a campanha. Além da experiência de seguimento, conhecido como MaRS, de Mars Radio Science, o radar MARSIS já andou inspecionando a superfície de Phobos com feixes de radar. "Já procedemos um processamento de dados preliminares e a assinatura de Phobos é evidente em quase todos os dados", diz Andrea Cicchetti, do Instituto Italiano de Física do Espaço Interplanetário e membro da equipe MARSIS.

A camera, HRSC, sera usada na aproximação de 7 de Março, quando a Mars Express passar pelo face iluminada de Phobos a uma altitude de 107 Km e continuará a ser usada nas passagens subsequentes, obtendo imagens de alta resolução da superfície da lua. Os outros instrumentos também serão postos em funcionamento.

ASPERA já está a estudando a forma como as partículas carregadas do Sol interagem com a superfície de Phobos. SPICAM, PFS, OMEGA estão caracterizando a superfície da lua, com o PFS, tentando medir a temperatura de Phobos, nos lados iluminado e escuro. O HRSC prestará particular atenção ao local proposto para a aterragem da missão russa Phobos-Grunt, que deverá ser lançada em 2011/12.

"Todas as experiências na Mars Express dizem algo sobre Phobos", diz Olivier Witasse, cientista de projeto na missão da ESA. Isto é um bônus para a ciência, tendo em conta que nenhuma delas tinha sido concebida para o estudo de Phobos, apenas do planeta Marte. O resultados científicos destas passagens deverão estar disponíveis nas semanas ou meses seguintes, quando as várias equipes tiverem tido tempo para analisar os dados.
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